
Cinco propostas para aproximar a OE dos seus membros (os enfermeiros)
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1. Reactivar o fórum no site da OE
- Apenas seria possível a visualização ou participação nos conteúdos, por enfermeiros, após processo de identificação simples, como aquele usado para entrar na área reservada sendo que o membro ficaria identificado pelo nome e número de cédula profissional (impediria mensagens menos próprias sob o manto do anonimato assim como a participação de não enfermeiros seria impedida).
- O uso do fórum poderia levar a que os enfermeiros pudessem colocar as suas dúvidas/questões num local mais próprio, além de que permitiria, por parte da OE, esclarecer essas dúvidas de uma forma mais célere assim como “tomar o pulso” ao que os seus membros necessitam.
- Seria um local privilegiado para discutir assuntos relacionados com a Enfermagem, desde temas como sistemas de informação, passando por esclarecimento de competências no âmbito de novas especialidades, até à apresentação de artigos de divulgação científica. Porque não ser uma espécie de Portal da Enfermagem por excelência?
- Promoveria a interactividade entre membros, facultando o tão necessário benchmarking, tão escasso na Enfermagem (mas que está a alterar-se a olhos vistos), que leva tantas vezes, à invenção repetida da Roda e ao não verificar-se, retarda o progresso das nossas práticas e reflexões.
2. Criação de um noticiário online
Não nos actuais moldes, mas numa versão mais dinâmica, com mais actualizações, se possíveis diárias, em que se desse conta dos progressos feitos nos temas debatidos nas Assembleias Gerais (por exemplo), em assuntos como o Modelo de Desenvolvimento Profissional ou as novas especialidades. Basicamente , dar conta de todos os progressos feitos ou estádio actual dos mesmos.
- Uma vez que deter toda a informação relativa aos enfermeiros é impossível ( nem o tão popular Professor Marcelo o consegue na sua área…), quem melhor para veicular essa informação do que a única organização que congrega todos os Enfermeiros deste país?
- Se os enfermeiros “sofrem” de algum tipo de iliteracia ou analfabetismo não deverá ser um dever mais premente da OE resolver este problema?
Ou deverá ela esperar ou aguardar que estes evoluam naturalmente para um “estado” mais “cognitivo”?
- Uma organização forte não se faz apenas por dirigentes fortes, precisa também de associados fortes e se estes não o são não será do interesse de quem sabe como torná-los mais fortes (os dirigentes) agir nesse sentido? A Força deve partir das bases… de que interessa ter os melhores generais se os soldados não sabem disparar a carabina? Não é dever destes formá-los da melhor forma? Ou devem estes esperar que o País que os conduz para a Guerra seja o responsável único por isso, sem que os Generais possam demonstrar o seu Know-how?
- Poder-se-á pensar que não existem notícias suficientes para manter um formato deste tipo, mas não só de notícias de Enfermeiros vive a Enfermagem, esta é mais do que a soma dos seus Enfermeiros e se há coisa que devemos ser, é observadores, olhar as diferentes realidades e visões. Não nos devem interessar somente as NOSSAS notícias mas também as que dizem respeito a economia de saúde, política, inovação científica nas mais diferentes áreas, etc., etc., etc.. Todos os enfermeiros gostariam de fazerem um ponto da situação diário, que não estivesse enviesado por visões mais facciosas, mas do prisma de uma instituição que deve primar pelo respeito, autonomia e distância crítica, para que possa fazer uma Verdadeira Análise.
3. Promover o reconhecimento dos seus membros entre os próprios pares
- Organizando eventos onde se possam alardear feitos ou carreiras relevantes (qualquer que seja o critério desde que justo) mais frequentemente, a título honorífico ( a gratificação monetária é sobrevalorizada em muitos contextos) pois se há coisa que não fazemos bem é reconhecermos as nossas virtudes nem admiti-las aos que nos são próximos (neste contexto de trabalho… os nossos colegas). Os incentivos não precisam de ser palpáveis (dinheiro ou benesses) pois por vezes o reconhecimento público tem um atractivo maior…
- Fomentar trocas de experiências ( o ponto 1 é uma das medidas para.), levando ao Benchmarking, não só através de congressos ou jornadas, mas também criando um espírito de cooperação e interacção que pode ser conseguido pela publicação ou publicitação de um feito especial de um enfermeiro que será seguido por outros, criando uma reacção em cadeia de partilha de informação entre os melhores, acabando por elevar o nível geral.
- Organização de tertúlias frequentes, grupos de reflexão sobre os mais variados temas, existindo apenas um tema previamente definido mas sem prelectores escolhidos: o mote poderia ser dado por um elemento da OE, caso necessário, e seria uma excelente forma de aglutinar vozes dispersas( os bloggers seriam excelentes convidados e aquisições para um contributo com a OE para a OE e a Enfermagem) com meios diferentes mas fins comuns (melhorar a Enfermagem)…
- Atribuir méritos ou prémios (de qualquer espécie) a quem se destaque nalguma área (ou que para tal tenha sido proposto) fazendo notícia disso. Os prémios devem ser suficientemente importantes para que não seja simplesmente necessário ser medíocre para alcançá-lo, nem severamente exigente para que ninguém possa almejar tê-lo.
- Não há como um enfermeiro ser devidamente reconhecido como quando o é pelos próprios colegas…nem que seja uma menção honrosa…
4. Mudar a abordagem pública aos problemas da Enfermagem ( Portuguesa )
Este é talvez o mais controverso e debatido problema ou abordagem (dependendo do ponto de vista) da OE, pelos enfermeiros em geral, portanto é algo que não carece de grandes explicações do ponto de vista argumentativo (ao escolher-se um dos lados de olhar a situação os diagnósticos já estão feitos) pelo que me limitarei a expor um ponto de vista unicamente pessoal em relação às várias temáticas que, a meu ver, “separam” a forma como são encaradas pela OE e a percepção que os seus membros têm delas…
Desemprego:
- A mensagem que é veiculada através da comunicação social é que de facto ainda existe falta de enfermeiros em Portugal, não passando para o “Público” em geral, que o que acontece é haver dotações de pessoal inseguras para os padrões de qualidade exigíveis. Se o objectivo é “forçar” a contratação de enfermeiros através destas declarações (ou o que delas é filtrado) o discurso devia ser mesmo esse. Dizer claramente que o SNS está deficitário em termos do número de enfermeiros exigidos apesar de haver desemprego maciço.
É preciso deixar claro que existem enfermeiros no desemprego.
Penso que não há melhor “regulação” de vagas nas escolas do que a procura das mesmas.
Se existir uma mensagem clara e bem presente na Sociedade Portuguesa, de que Enfermagem é um curso sem saída profissional actual não existirão muitos alunos a procurar esse curso (quer queiramos quer não, a saída profissional é uma motivação major na hora de escolher o curso), pelo que nem é necessário “interferir” directamente na regulação de vagas…
Até podemos saber que existe um rácio deficiente de enfermeiro/utente no nosso SNS, mas temos de ser mais argutos, perseverantes e objectivos para que esse objectivo seja atingido.
- Urgência/Emergência Pré-Hospitalar
Urge a clarificação do que se pretende quanto a esta área, e não sendo defensor do acto de enfermagem, creio que ou os enfermeiros ocupam este “nicho” ou impedem que outros o façam.
A única forma que vejo de o fazer, caso não ocupemos esta área, é mesmo a criação de um mecanismo que impedisse que outros o fizessem ( o acto de enfermagem seria um deles, mas como já disse, não o defendo pois a médio/longo prazo julgo que iria ser castrador do aperfeiçoamento da profissão), mas isso não seria bom para os principais interessados, os utentes, e por conseguinte não é lógico impedir cuidados aos utentes senão existirem alternativas, e as alternativas são os enfermeiros assumirem o comando do Pré-hospitalar, não há sequer mais opções ou alternativas melhores possíveis.
Portanto, é necessário que cada vez que este assunto venha à baila ( e ultimamente tem vindo e bastante), e a OE está a mostrar um trabalho satisfatório nesse aspecto, defender a criação de especialidades de enfermagem viradas para esta área e se for preciso desacreditar outras visões do mundo do pré-hospitalar de uma forma veemente, há que fazê-lo, pois acredito piamente que todos têm a ganhar com isso (enfermeiros, Estado e utentes) se forem os enfermeiros a fazê-lo, mais do que qualquer outra hipótese imaginária. O respeito que os enfermeiros têm pela sua OE também parte da força que sentem ao vê-la actuar, nem que seja agressivamente ( e é possível fazê-lo de forma inteligente e sem vislumbre de rasteirismos, passe o neologismo).
Ensino
Sou Jovem e tal ( logo devo ser inconsequente, pouco esclarecido e não ter uma visão global dos acontecimentos), mas se há coisa que a minha juventude não me permite vislumbrar é como podem existir mil e um cursos de enfermagem no país, todos diferentes uns dos outros?
Não tendo a OE poder de regulação a este nível, não pode ter o poder de uma “acreditação” mesmo que não tenha qualquer poder vinculativo?
- Não deve ser também a OE a predefinir o que exige, em termos de conhecimentos, de um enfermeiro ( o MDP não chegará numa fase tardia para resolver este problema e acabará por ser punitivo para quem menos culpa teria, o estudante?) e desse modo “definir” um plano de estudos comum a todas as escolas, com os conteúdos a serem abordados e só depois deixar espaço a “divagações” dessas mesmas escolas, que poderiam querer abordar temáticas mais… divergentes?
- Porque não aborda a OE publicamente este problema, claramente e sem rodeios, dizendo que não se está a formar com qualidade porque existem demasiados alunos, as escolas e instituições de saúde não têm condições para isso e isso fará com que a saúde dos portugueses esteja em perigo ( estes alarmismos aparentemente dão resultados noutras classes, porque não segui-los quando nos dêem jeito, afinal de contas não podemos ter sempre uma perspectiva tão …aprovável)? O desemprego diminuiria e os enfermeiros na globalidade achariam boa ideia…
- Reformas nos CSP
Não deveríamos era também pensar já numa alternativa a este modelo de CSP?
Até porque este projecto das USF está moribundo… e o canto do cisne ( a declaração oficial de… este modelo está obsoleto) pode ter sido, tão só adiado…
Será que este modelo nos garante :
- Diminuição da procura de serviços de saúde?
- Controlo do crescimento dos gastos com a doença, que por agora é só “crescente” mas que será também exponencial no futuro?
- Melhoria dos indicadores de saúde e qualidade de vida (acima de tudo este…)?
- Acessibilidade e igualdade na oferta de serviços de saúde à população?
- Incentivos adequados à melhoria das condições de exercício profissional e por conseguinte, motivação para o mesmo?
- A sustentabilidade de um SNS tendencialmente gratuito e universal?
Não deveríamos ter uma voz mais activa na planificação das políticas de Saúde? Então há que pensar à frente, no depois também, oferecer alternativas credíveis e melhores…
Aqui nesta matéria julgo que a OE poderia ter publicitado melhor o seu papel no desenrolar das negociações, sem ter perdido uma imagem institucional isenta nos assuntos sindicais. Esta abordagem da OE também poderia ser adoptada noutros quadrantes.
Em jeito de conclusão poderia dizer que a OE pode ter toda a razão na sua argumentação, mas os factos mostram que a maioria dos enfermeiros está cada vez mais alheada dos problemas da profissão e menos interessada em apontar alternativas ou soluções.
Não podendo a OE perder a sua imagem institucional de referência, pois isso poderia acarretar muitos revezes em negociações, invisíveis para a esmagadora maioria dos enfermeiros, dependentes da máxima “o segredo é a alma do negócio”, é imperativo que ela, de vez em quando, desça do alto da superioridade moral (nem estou a ser sarcástico nem nego que a tenha) e adopte medidas mais claras. Os enfermeiros precisam de um pai e de uma mãe, não de um padre ou dum psicólogo.
Não pode o rei, observar do alto da sua colina ver o seu exército a ser destroçado e e não abdicar do seu título e usando a sua guarda pessoal ( e ele próprio) para aguentar a batalha enquanto os reforços não chegam. È que os reforços ao chegarem podem já não encontrar exército algum, ou a batalha já ter sido perdida.
E sem exército não se ganham batalhas ou muito menos guerras.
Se existem desígnios de outras entidades que não são cumpridos não deve a OE assegurá-los?
Artigo 3.o
Atribuições
1 — A Ordem tem como desígnio fundamental promover
a defesa da qualidade dos cuidados de enfermagem
prestados à população, bem como o desenvolvimento,
a regulamentação e o controlo do exercício
da profissão de enfermeiro, assegurando a observância
das regras de ética e deontologia profissional.
2 — São atribuições da Ordem:
a) Zelar pela função social, dignidade e prestígio
da profissão de enfermeiro, promovendo a valorização
profissional e científica dos seus membros;
(…)
o) Colaborar com as organizações de classe que
representam os enfermeiros em matérias de
interesse comum, por iniciativa própria ou por
iniciativa daquelas organizações.
Como repararam não fiz 5 propostas mas apenas 4…
Primeiro porque tenho a certeza que a OE é composta por pessoas capazes e que já terão pensado nestas e em muitas outras mais.
Em segundo lugar, a 5ª se não está ainda pensada digam-ma vocês por favor…