Terça-feira, 10 de Junho de 2008

Os enfermeiros e o Plano Nacional de Saúde

Ontem comemorou-se o dia Mundial da Imunização, uma prática que nasceu oficialmente com Jenner em 1797, com a vacina contra a varíola, doença que actualmente está erradicada.

A imunização é a seguir ao uso da água potável, a medida com mais impacto na prevenção de doenças na História da Humanidade e o custo/benefício do seu uso é incomparavelmente positivo, ou seja, uma medida realmente importante...

Nos dias de hoje as vacinas e sua administração estão organizadas, na maioria dos países incluindo o nosso, num esquema, que no nosso caso se convencionou chamar Plano Nacional de Vacinação (PNV), sendo que a implementação deste está tecnicamente entregue aos enfermeiros.

As evidências levam-me a crer que a eficácia da sua cobertura e seu sucesso, se devem ao facto de este ser o actor principal tal como a vontade política de que assim seja. Os enfermeiros provam, ano após ano, a sua maior habilidade para prosseguir políticas preventivas e capacidade de cumprir tarefas organizativas assim como assegurar a implementação das mesmas. Poderia dizer que nos “está no sangue”… talvez, mas também é fruto da nossa actividade diária que nos prepara para este género de acções.


Tal sucesso leva-me a querer extrapolar esta “experiência” para outros patamares: A aplicação de um modelo idêntico ao PNV no Plano Nacional de Saúde (PNS), principalmente nos quatro programas prioritários :
  • Prevenção e Controlo das Doenças Oncológicas
  • Programa Nacional de Prevenção da Infecção VIH/sida
  • Programa Nacional para a Saúde das Pessoas Idosas
  • Programa Nacional de Prevenção e Controlo das Doenças Cardiovasculares

Isto é, protocolar calendários e “obrigações” assim como deixar a cargo dos enfermeiros a sua organização e implementação.


À primeira vista pode parecer uma tarefa hercúlea, mas com um aumento do reconhecimento das competências dos enfermeiros, uma maior iniciativa por parte destes e os correctos incentivos ( dotação adequada e trabalho por objectivos) esta medida seria facilmente atingida.

Falarmos de dificuldades económicas não faz sentido quando isto é tudo um investimento com retorno garantido. Para a Vacinação existiu um congregar de esforços que levou ao seu sucesso… E para o resto… faltará vontade política?


Quinta-feira, 5 de Junho de 2008

Manifestações e greves



Sou apologista de negociações sustentadas e baseadas na evidência, com incidência numa maior capacidade argumentativa a longo prazo, como por exemplo criar e explanar os motivos porque é importante para o SNS e seus “paralelos” que o enfermeiro seja melhor remunerado, seja detentor de maiores responsabilidades, seja reconhecido pelas suas competências e tenha capacidade de abraçar novas, como forma de demonstrar que tudo isso levaria a uma melhoria global de todos os serviços de Saúde:

- Menores gastos: mais enfermeiros e melhor remunerados leva a uma diminuição dos gastos com tratamento de infecções, diminuição do tempo de internamento, menos complicações (logo menores gastos), prevenção e controlo de doenças crónicas ( e consequente gastos diminuídos com fármacos).

- Melhoria dos indicadores de saúde: O aumento da esperança média de vida não se traduziu em aumento do tempo com qualidade de vida, isto porque além dos fármacos, a intervenção em outros aspectos da saúde/doença é importante nesse objectivo ( qualidade de vida): O enfermeiro é, graças à sua formação de base e ambiente de prática laboral, o profissional melhor colocado para globalmente poder intervir nos mais diversos aspectos para a obtenção de melhor satisfação das necessidades de saúde da Pessoa.

- A garantia de que os enfermeiros sempre foram e serão os profissionais mais cumpridores de horários, assíduos, pontuais, com uma entrega e devoção à causa que face à imoral política de compensar os cumpridores só lhes causou danos. O habitual de … é bonzinho logo é dispensável, quando noutro contexto deveria ser… é bom logo é recompensado. Que ninguém o negue, somos os mais cumpridores de todos (não somos perfeitos mas ainda assim somos os melhores).


Mas aparte isto, existe a questão de falar na eficácia de uma Greve, na forma como esta deve e pode ser feita, apesar de achar as greves uma forma de luta ultrapassada e com efeitos muito curtos devido a alguns factores como o seu impacto…

Qual o seu impacto?

Actualmente? Apenas uma forma das Administrações pouparem um dia de salário, excepto nos locais onde não existem serviços mínimos…

Onde eles existem, acontece o inexplicável, aparentemente tudo é mínimo o que nos leva a pensar: habitualmente já se faz o mínimo ou não sabemos o que é mínimo?
Isto leva a que as greves não tenham absolutamente impacto nenhum: quer económico quer a nível dos cuidados, quer da percepção pelos receptores dos cuidados.


Portanto o que resta? Como fazer greve?

Uma solução é definir exactamente quais são os cuidados mínimos?

Por exemplo dizer que é somente assegurar o ABCD.

Outra solução é a greve de zelo (tal como eu a entendo), ou seja, prestar os cuidados dentro do tempo normal e esperado, administrar um medicamento e esperar os efeitos tal como eles vêm previstos na bula, cumprir escrupulosamente todos os protocolos e mendigâncias legais ou técnicas. Enfim… fazer tudo o que deve ser exactamente feito mas à velocidade normal e não à rapidez que é imperativa em todos os serviços de Saúde de Portugal, sem que mais nos pudesse ser exigido. Não sei…

Que é que vocês acham?

Quarta-feira, 28 de Maio de 2008

Task Shifting: Transferência de Tarefas

Transferência de Tarefas (Task Shifting)

O que é? Um dos métodos para melhorar e expandir a mão de obra da área da Saúde para rapidamente aumentar o acesso a serviços de saúde. Este processo envolve a delegação de tarefas por pessoal mais qualificado para outro menos qualificado, de forma a dar um uso mais eficiente à mão de obra dos profissionais de saúde, tudo isto numa base de redistribuição racional das tarefas pelas diferentes forças de trabalho na Saúde.

Para que este objectivo seja atingido, existem determinadas recomendações (sugeridas pela OMS link) para que este processo obtenha o seu verdadeiro propósito: aproveitar os recursos existentes para formar novos recursos de forma a melhorar a assistência global à população.

Embora este conceito, tal como ele é visto na actualidade, seja mais adequado a situações mais comuns a países em vias de desenvolvimento (actual designação do terceiro mundo), a maioria de toda a ideologia subjacente ao conceito é já usada nos países desenvolvidos, ainda que de forma bastante díspar entre os vários países e com níveis de urgência na sua implementação diferentes das situação original ( Acesso dos doentes com HIV aos cuidados de saúde link), porém este conceito de delegação de tarefas é bem mais útil e actual do que se possa imaginar, mas adiante…


As recomendações mais não são que um garante da sua correcta implementação entre os profissionais e o perfeito entendimento, por estes, do que o método e forma de “política de saúde” que a delegação de tarefas implica , para que o equilíbrio entre os conceitos de accountability e Humanismo aconteça.


Estas situações de delegação de tarefas são prática comum e são até casos de sucesso, não só em países em vias de desenvolvimento, mas também nos desenvolvidos, como é o caso dos Nurse Practioners nos EUA ou ainda no Reino Unido (prescrição de fármacos por enfermeiros é apontada pelos utentes como a sua preferida).



Mas poderíamos perguntar se Portugal precisa deste método ou desta forma de distribuição dos recursos na saúde…

Temos acesso equitativo de toda a população aos profissionais de saúde (Viver em Vinhais ou Penacova garante a mesma acessibilidade que Porto ou Lisboa)?

Não

Todas as pessoas têm os seus problemas de saúde cobertos pelos serviços de saúde, em tempo real (vide caso de Oftalmologia, para só falar no mais mediático)?

Não

Não existem impedimentos legais para que alguns grupos profissionais não estejam qualificados para exercerem funções para as quais estão preparados ou minimamente preparados (caso de enfermeiros, farmacêuticos ou fisioterapeutas; ou ainda o caso das terapias não convencionais ou alternativas)?

Não

Todos os grupos profissionais são explorados até ao limite das suas competências ou potenciais competências, de forma a assegurar maior cobertura de acções na globalidade da assistência à população (transversal a todos os grupos profissionais do SNS; caso dos CSP com o desperdiçar de recursos com médicos nesta área e a insuficiente aposta em enfermeiros e outros técnicos)?

Não

Não existem campos de actuação cuja qualidade seja insuficiente por imperativos legais ou burocráticos ( caso da Emergência pré-hospitalar com as restrições à actuação de enfermeiros e o uso do DAE por parte da população treinada; caso dos CSP , Cuidados na comunidade e Paliativos, com as restrições à prescrição de fármacos, material de saúde e higiene, centralização da responsabilidade no médico ) ?

Não

Apostamos na autonomia das associações de doentes, cuidadores informais, educação para a saúde a nível de prevenção primária, envolvimento do cidadão comum na sua saúde e na da sua família?

Não



Então precisamos mesmo de ter este conceito bem presente.

Os conhecimentos devem ser partilhados. A questão da exclusividade está demasiado presente o que impede melhores cuidados à população. Quando os interesses de uma qualquer classe profissional se sobrepõem aos interesses da população em geral, algo está mal. È necessário partilha, actualização das mentalidades.

Maior proximidade dos serviços à população, acesso a informação facilitado, mais pessoas envolvidas nos cuidados, menor burocracia, mais cuidados de saúde para mais pessoas, papel principal do utente no sistema e não dos profissionais... É disto que se trata...

Os desafios do século XXI, entre os quais a sustentabilidade dos sistemas de saúde e o acesso equitativo aos mesmos serviços, serão transversais a todos os países, assim urge que todos tenhamos noção que ou mudamos ou ninguém terá acesso à Saúde no futuro.

Mas o que é que nos bloqueia para que este processo não seja efectivo?
Que forças e interesses não ganham com o implementar deste conceito? Em Portugal e no Mundo ?




Terça-feira, 20 de Maio de 2008

Na semana passada...







Esta semana passada foi pródiga em notícias na área da Saúde, algumas relativas a verdadeiras reformas, outras a rupturas com o actual paradigma, outras com erros de interpretação que podem comprometer uma reforma ou mudança de paradigma e ainda “equívocos”. Aparentemente banais mas a traduzirem uma mudança na forma como se olha a Saúde em Portugal.

Nas verdadeiras reformas enquadraria o anúncio do avanço das UCC (Unidades de Cuidados na Comunidade) que conjuntamente com a rede de Cuidados Continuados Integrados poderá mudar radicalmente o panorama hospitalar dentro de alguns anos (isto de realmente forem implementadas). Digo panorama hospitalar porque o número de camas nestas instituições será reduzido, assim como os internamentos e principalmente os reinternamentos: assim haja vontade e profissionais devidos em número e qualidade. Globalmente as melhorias serão mesmo visíveis daqui a mais anos

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Nas Rupturas enquadraria a abordagem ao problema das listas de espera de Oftalmologia (temo que não pelos melhores motivos e não sabendo ainda o custo a pagar): A ser concretizado o plano previsto, evidencia vontade política de resolver o problema. Por quem foi este criado? As responsabilidades podem ser divididas por poucos, mas são muitos os que as sofrem. Mas o tempo não é de atribuir só as responsabilidades, é de atribui-las e garantir que não tornam a acontecer.

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Quanto aos erros de percepção de um fenómeno enquadrar o que estaria a ser feito pelo IDT (Instituto da Droga e Toxicodependência), isto quanto ao manual que estariam a “dirigir” a jovens com mais de 11 anos, mas para não perder precisão aconselho-os a ler isso aqui. O site da discórdia aqui… mas está “inoperacional” na parte mais polémica.

Se concordo com a nova visão do fenómeno que o IDT tem , de que não é possível erradicar o consumo mas sim controlá-lo, e informação é sempre bem vinda, não posso concordar com informação que pode estar claramente a incentivar ao consumo, dando uma imagem muito abonatória do consumo e “careta” de quem não o faz. Espero que a polémica à volta deste erro de percurso não faça retroceder novamente os progressos já feitos, isto pelo menos quanto à forma de lidar com o problema.


Equívocos
Poderia também enquadrar as declarações do Secretário de Estado Manuel Pizarro: continuo sem compreender porque é que a formação dos médicos tem de ter padrões de qualidade diferentes das outras profissões na área da saúde. E se existe tanta falta de médicos em Portugal… ( e as consequências que isso acarreta para a saúde dos portugueses…) não será de pensar no risco benefício de se formarem mais médicos com uma qualidade “menor” ( noutras épocas esse problema aparentemente não se colocava) para assim poderem abranger uma fatia maior da população?

Outro caso enigmático nesta senda de “equívocos” é o estudo sobre a distribuição das farmácias. Mas aí tirem as vossas conclusões. Há excesso de farmácias em Portugal? Então porque é esta actividade (possuir uma farmácia) tão lucrativa?

Segunda-feira, 12 de Maio de 2008

Dia Internacional do Enfermeiro


O que faria pela Enfermagem actual uma nova Florence Nightingale?

O que queremos da Enfermagem e dos enfermeiros do Futuro?

Reflictamos sobre isso neste dia…

Sábado, 10 de Maio de 2008

Formas de ver um problema...



Cinco propostas para aproximar a OE dos seus membros (os enfermeiros)
´

1. Reactivar o fórum no site da OE

- Apenas seria possível a visualização ou participação nos conteúdos, por enfermeiros, após processo de identificação simples, como aquele usado para entrar na área reservada sendo que o membro ficaria identificado pelo nome e número de cédula profissional (impediria mensagens menos próprias sob o manto do anonimato assim como a participação de não enfermeiros seria impedida).

- O uso do fórum poderia levar a que os enfermeiros pudessem colocar as suas dúvidas/questões num local mais próprio, além de que permitiria, por parte da OE, esclarecer essas dúvidas de uma forma mais célere assim como “tomar o pulso” ao que os seus membros necessitam.

- Seria um local privilegiado para discutir assuntos relacionados com a Enfermagem, desde temas como sistemas de informação, passando por esclarecimento de competências no âmbito de novas especialidades, até à apresentação de artigos de divulgação científica. Porque não ser uma espécie de Portal da Enfermagem por excelência?

- Promoveria a interactividade entre membros, facultando o tão necessário benchmarking, tão escasso na Enfermagem (mas que está a alterar-se a olhos vistos), que leva tantas vezes, à invenção repetida da Roda e ao não verificar-se, retarda o progresso das nossas práticas e reflexões.


2. Criação de um noticiário online

Não nos actuais moldes, mas numa versão mais dinâmica, com mais actualizações, se possíveis diárias, em que se desse conta dos progressos feitos nos temas debatidos nas Assembleias Gerais (por exemplo), em assuntos como o Modelo de Desenvolvimento Profissional ou as novas especialidades. Basicamente , dar conta de todos os progressos feitos ou estádio actual dos mesmos.

- Uma vez que deter toda a informação relativa aos enfermeiros é impossível ( nem o tão popular Professor Marcelo o consegue na sua área…), quem melhor para veicular essa informação do que a única organização que congrega todos os Enfermeiros deste país?

- Se os enfermeiros “sofrem” de algum tipo de iliteracia ou analfabetismo não deverá ser um dever mais premente da OE resolver este problema?

Ou deverá ela esperar ou aguardar que estes evoluam naturalmente para um “estado” mais “cognitivo”?
- Uma organização forte não se faz apenas por dirigentes fortes, precisa também de associados fortes e se estes não o são não será do interesse de quem sabe como torná-los mais fortes (os dirigentes) agir nesse sentido? A Força deve partir das bases… de que interessa ter os melhores generais se os soldados não sabem disparar a carabina? Não é dever destes formá-los da melhor forma? Ou devem estes esperar que o País que os conduz para a Guerra seja o responsável único por isso, sem que os Generais possam demonstrar o seu Know-how?

- Poder-se-á pensar que não existem notícias suficientes para manter um formato deste tipo, mas não só de notícias de Enfermeiros vive a Enfermagem, esta é mais do que a soma dos seus Enfermeiros e se há coisa que devemos ser, é observadores, olhar as diferentes realidades e visões. Não nos devem interessar somente as NOSSAS notícias mas também as que dizem respeito a economia de saúde, política, inovação científica nas mais diferentes áreas, etc., etc., etc.. Todos os enfermeiros gostariam de fazerem um ponto da situação diário, que não estivesse enviesado por visões mais facciosas, mas do prisma de uma instituição que deve primar pelo respeito, autonomia e distância crítica, para que possa fazer uma Verdadeira Análise.

3. Promover o reconhecimento dos seus membros entre os próprios pares

- Organizando eventos onde se possam alardear feitos ou carreiras relevantes (qualquer que seja o critério desde que justo) mais frequentemente, a título honorífico ( a gratificação monetária é sobrevalorizada em muitos contextos) pois se há coisa que não fazemos bem é reconhecermos as nossas virtudes nem admiti-las aos que nos são próximos (neste contexto de trabalho… os nossos colegas). Os incentivos não precisam de ser palpáveis (dinheiro ou benesses) pois por vezes o reconhecimento público tem um atractivo maior…

- Fomentar trocas de experiências ( o ponto 1 é uma das medidas para.), levando ao Benchmarking, não só através de congressos ou jornadas, mas também criando um espírito de cooperação e interacção que pode ser conseguido pela publicação ou publicitação de um feito especial de um enfermeiro que será seguido por outros, criando uma reacção em cadeia de partilha de informação entre os melhores, acabando por elevar o nível geral.

- Organização de tertúlias frequentes, grupos de reflexão sobre os mais variados temas, existindo apenas um tema previamente definido mas sem prelectores escolhidos: o mote poderia ser dado por um elemento da OE, caso necessário, e seria uma excelente forma de aglutinar vozes dispersas( os bloggers seriam excelentes convidados e aquisições para um contributo com a OE para a OE e a Enfermagem) com meios diferentes mas fins comuns (melhorar a Enfermagem)…

- Atribuir méritos ou prémios (de qualquer espécie) a quem se destaque nalguma área (ou que para tal tenha sido proposto) fazendo notícia disso. Os prémios devem ser suficientemente importantes para que não seja simplesmente necessário ser medíocre para alcançá-lo, nem severamente exigente para que ninguém possa almejar tê-lo.

- Não há como um enfermeiro ser devidamente reconhecido como quando o é pelos próprios colegas…nem que seja uma menção honrosa…


4. Mudar a abordagem pública aos problemas da Enfermagem ( Portuguesa )

Este é talvez o mais controverso e debatido problema ou abordagem (dependendo do ponto de vista) da OE, pelos enfermeiros em geral, portanto é algo que não carece de grandes explicações do ponto de vista argumentativo (ao escolher-se um dos lados de olhar a situação os diagnósticos já estão feitos) pelo que me limitarei a expor um ponto de vista unicamente pessoal em relação às várias temáticas que, a meu ver, “separam” a forma como são encaradas pela OE e a percepção que os seus membros têm delas…

Desemprego:

- A mensagem que é veiculada através da comunicação social é que de facto ainda existe falta de enfermeiros em Portugal, não passando para o “Público” em geral, que o que acontece é haver dotações de pessoal inseguras para os padrões de qualidade exigíveis. Se o objectivo é “forçar” a contratação de enfermeiros através destas declarações (ou o que delas é filtrado) o discurso devia ser mesmo esse. Dizer claramente que o SNS está deficitário em termos do número de enfermeiros exigidos apesar de haver desemprego maciço.
É preciso deixar claro que existem enfermeiros no desemprego.
Penso que não há melhor “regulação” de vagas nas escolas do que a procura das mesmas.

Se existir uma mensagem clara e bem presente na Sociedade Portuguesa, de que Enfermagem é um curso sem saída profissional actual não existirão muitos alunos a procurar esse curso (quer queiramos quer não, a saída profissional é uma motivação major na hora de escolher o curso), pelo que nem é necessário “interferir” directamente na regulação de vagas…

Até podemos saber que existe um rácio deficiente de enfermeiro/utente no nosso SNS, mas temos de ser mais argutos, perseverantes e objectivos para que esse objectivo seja atingido.

- Urgência/Emergência Pré-Hospitalar

Urge a clarificação do que se pretende quanto a esta área, e não sendo defensor do acto de enfermagem, creio que ou os enfermeiros ocupam este “nicho” ou impedem que outros o façam.
A única forma que vejo de o fazer, caso não ocupemos esta área, é mesmo a criação de um mecanismo que impedisse que outros o fizessem ( o acto de enfermagem seria um deles, mas como já disse, não o defendo pois a médio/longo prazo julgo que iria ser castrador do aperfeiçoamento da profissão), mas isso não seria bom para os principais interessados, os utentes, e por conseguinte não é lógico impedir cuidados aos utentes senão existirem alternativas, e as alternativas são os enfermeiros assumirem o comando do Pré-hospitalar, não há sequer mais opções ou alternativas melhores possíveis.

Portanto, é necessário que cada vez que este assunto venha à baila ( e ultimamente tem vindo e bastante), e a OE está a mostrar um trabalho satisfatório nesse aspecto, defender a criação de especialidades de enfermagem viradas para esta área e se for preciso desacreditar outras visões do mundo do pré-hospitalar de uma forma veemente, há que fazê-lo, pois acredito piamente que todos têm a ganhar com isso (enfermeiros, Estado e utentes) se forem os enfermeiros a fazê-lo, mais do que qualquer outra hipótese imaginária. O respeito que os enfermeiros têm pela sua OE também parte da força que sentem ao vê-la actuar, nem que seja agressivamente ( e é possível fazê-lo de forma inteligente e sem vislumbre de rasteirismos, passe o neologismo).


Ensino

Sou Jovem e tal ( logo devo ser inconsequente, pouco esclarecido e não ter uma visão global dos acontecimentos), mas se há coisa que a minha juventude não me permite vislumbrar é como podem existir mil e um cursos de enfermagem no país, todos diferentes uns dos outros?

Não tendo a OE poder de regulação a este nível, não pode ter o poder de uma “acreditação” mesmo que não tenha qualquer poder vinculativo?

- Não deve ser também a OE a predefinir o que exige, em termos de conhecimentos, de um enfermeiro ( o MDP não chegará numa fase tardia para resolver este problema e acabará por ser punitivo para quem menos culpa teria, o estudante?) e desse modo “definir” um plano de estudos comum a todas as escolas, com os conteúdos a serem abordados e só depois deixar espaço a “divagações” dessas mesmas escolas, que poderiam querer abordar temáticas mais… divergentes?

- Porque não aborda a OE publicamente este problema, claramente e sem rodeios, dizendo que não se está a formar com qualidade porque existem demasiados alunos, as escolas e instituições de saúde não têm condições para isso e isso fará com que a saúde dos portugueses esteja em perigo ( estes alarmismos aparentemente dão resultados noutras classes, porque não segui-los quando nos dêem jeito, afinal de contas não podemos ter sempre uma perspectiva tão …aprovável)? O desemprego diminuiria e os enfermeiros na globalidade achariam boa ideia…


- Reformas nos CSP

Não deveríamos era também pensar já numa alternativa a este modelo de CSP?
Até porque este projecto das USF está moribundo… e o canto do cisne ( a declaração oficial de… este modelo está obsoleto) pode ter sido, tão só adiado…

Será que este modelo nos garante :

- Diminuição da procura de serviços de saúde?
- Controlo do crescimento dos gastos com a doença, que por agora é só “crescente” mas que será também exponencial no futuro?
- Melhoria dos indicadores de saúde e qualidade de vida (acima de tudo este…)?
- Acessibilidade e igualdade na oferta de serviços de saúde à população?
- Incentivos adequados à melhoria das condições de exercício profissional e por conseguinte, motivação para o mesmo?
- A sustentabilidade de um SNS tendencialmente gratuito e universal?

Não deveríamos ter uma voz mais activa na planificação das políticas de Saúde? Então há que pensar à frente, no depois também, oferecer alternativas credíveis e melhores…

Aqui nesta matéria julgo que a OE poderia ter publicitado melhor o seu papel no desenrolar das negociações, sem ter perdido uma imagem institucional isenta nos assuntos sindicais. Esta abordagem da OE também poderia ser adoptada noutros quadrantes.





Em jeito de conclusão poderia dizer que a OE pode ter toda a razão na sua argumentação, mas os factos mostram que a maioria dos enfermeiros está cada vez mais alheada dos problemas da profissão e menos interessada em apontar alternativas ou soluções.

Não podendo a OE perder a sua imagem institucional de referência, pois isso poderia acarretar muitos revezes em negociações, invisíveis para a esmagadora maioria dos enfermeiros, dependentes da máxima “o segredo é a alma do negócio”, é imperativo que ela, de vez em quando, desça do alto da superioridade moral (nem estou a ser sarcástico nem nego que a tenha) e adopte medidas mais claras. Os enfermeiros precisam de um pai e de uma mãe, não de um padre ou dum psicólogo.

Não pode o rei, observar do alto da sua colina ver o seu exército a ser destroçado e e não abdicar do seu título e usando a sua guarda pessoal ( e ele próprio) para aguentar a batalha enquanto os reforços não chegam. È que os reforços ao chegarem podem já não encontrar exército algum, ou a batalha já ter sido perdida.
E sem exército não se ganham batalhas ou muito menos guerras.

Se existem desígnios de outras entidades que não são cumpridos não deve a OE assegurá-los?

Artigo 3.o
Atribuições
1 — A Ordem tem como desígnio fundamental promover
a defesa da qualidade dos cuidados de enfermagem
prestados à população, bem como o desenvolvimento,
a regulamentação e o controlo do exercício
da profissão de enfermeiro, assegurando a observância
das regras de ética e deontologia profissional.
2 — São atribuições da Ordem:
a) Zelar pela função social, dignidade e prestígio
da profissão de enfermeiro, promovendo a valorização
profissional e científica dos seus membros;
(…)

o) Colaborar com as organizações de classe que
representam os enfermeiros em matérias de
interesse comum, por iniciativa própria ou por
iniciativa daquelas organizações.



Como repararam não fiz 5 propostas mas apenas 4…
Primeiro porque tenho a certeza que a OE é composta por pessoas capazes e que já terão pensado nestas e em muitas outras mais.
Em segundo lugar, a 5ª se não está ainda pensada digam-ma vocês por favor…








Cuidados de Saúde Primários



O que pretendemos dos Cuidados de Saúde Primários?
Será que melhorar a eficácia e eficiência, segundo o actual modelo, paradigma, sustentação, chega para lhes podermos realmente chamar Cuidados Primários?

Que modelo é este que simplesmente não aposta na prevenção primária? É que a apostar, não pode nunca recompensar actividades relacionadas com prevenção terciária, muito mais dispendiosas e fonte de proveitos bem mais “interessante”, que só leva a uma subversão do sistema. Ou sou só eu que vejo isto?

Foi esta reforma, USF incluídas, uma verdadeira reforma ou só uma forma de adiar um pouco mais a conclusão de declará-lo obsoleto?

Algum destes propósitos, e passo a enumerar, será atingido com este modelo?

- Diminuição da procura de serviços de saúde?

- Controlo do crescimento dos gastos com a doença, que por agora é só “crescente” mas que será também exponencial no futuro?

- Melhoria dos indicadores de saúde e qualidade de vida (acima de tudo este…)?

- Acessibilidade e igualdade na oferta de serviços de saúde à população?

- Incentivos adequados à melhoria das condições de exercício profissional e por conseguinte, motivação para o mesmo?

- Garantir a sustentabilidade de um SNS tendencialmente gratuito e universal?

E os enfermeiros? o que pensam sobre isto? A política da saúde... Não só os pormenores financeiros próprios...




PS:
Todos os dias "chovem" notícias sobre a MCSP: ou são os incentivos financeiros, ou são os institucionais, ou a demissão do líder, ou a demissão do grupo , ou a readmissão do grupo, ou é a demissão do grupo e readmissão do líder, agora é a constituição de um conselho consultivo (superior ao líder)... E que podemos nós efectivamente fazer quanto a isto? Que tal ir preparando um modelo alternativo? Em que todos acreditemos? Utentes, Governo e profissionais de saúde...

Quarta-feira, 16 de Abril de 2008

Hospital de Todos os Santos


Este Hospital, ao estar concluído em 2012, que eu duvido, pois já oiço falar dele desde 2005 (seria pretensamente iniciado em 2006), terá uma capacidade aproximada de 800 camas e será fruto da fusão entre o Hospital São José, Capuchos, Santa Marta, Desterro e Estefânia. Será edificado na zona de Chelas e dará assistência de primeira linha à população da zona oriental e central de Lisboa assim como do concelho de Loures. Estes 5 Hospitais em conjunto ultrapassam largamente as 1200 camas, ou seja o pessoal será dimensionado para uma lotação de menos 400 camas.

Que implicações terá a nível de despedimentos?

O que será feito dos edifícios dos antigos hospitais?

Quem ganha com isso?

Quem perde?

Que serviços comuns serão encerrados?

Dos serviços comuns, quem transitará para o novo Hospital?

Segunda-feira, 14 de Abril de 2008

Relações entre desemprego/remuneração/produtividade/reconhecimento do valor de um enfermeiro PARTE 3




E agora poderíamos perguntar…E como relacionar isso com a actividade de um enfermeiro ou então, porquê atribuir isso à responsabilidade completa ou parcial de um enfermeiro?

Talvez a parte mais morosa mas talvez a mais fácil de explicar e de resultados mais concretos.
O que é a prática da Enfermagem baseada na evidência?
Investigação que vai pressupor o envolvimento do enfermeiro, o que ele faz, impacto do que ele faz, resultados obtidos, ilações a tirar daí.

Formas fáceis de se obterem resultados:
a) Verificar taxas de infecção relacionadas com o número de enfermeiros disponíveis sendo que no final se avaliam os custos. Compensa ter mais um enfermeiro ou compensa o gasto em antibióticos ou complicações relacionadas com a infecção?
Verificaremos todos que se o resultado for compensar ter mais um enfermeiro e os dados forem bem explícitos (a haver relação indesmentível entre as variáveis enfermeiro/aumento da taxa de infecção) então o enfermeiro será necessariamente contratado (isto se o gestor for minimamente competente, se o não for estão lá os dados que podem atestar da sua incompetência/negligência e se há coisa que é insuperável é o NÚMERO).

b) Atestar relação entre aumento de complicações no pós-operatório com um número inferior de enfermeiros ao estipulado (e aqui tal como em todas as situações de “estipulação” tem de haver uma escala que avalie o mais fidedignamente a quantidade de horas e cuidados de enfermagem que os utentes/doentes precisam). O raciocínio a sublinhado da primeira alínea será válido para todas as outras.

c) Observar o impacto dos cuidados da enfermagem na morbilidade e mortalidade, assim como nas complicações de qualquer doença aguda ou crónica (isto para cuidados ditos não essências ou mínimos ou como lhes quisermos chamar) e passo a enumerar apenas alguns.
- EAM: por exemplo a instituição de oxigenoterapia apenas sob prescrição médica ou logo que o juízo do enfermeiro o assim determine;
- AVC isquémico : Intervenções de reabilitação precoces : diferença entre fazê-las e não fazê-las.
- Ventilação Mecânica invasiva e não invasiva: Diferenças entre o nível de sedação pretendido quando a administração de sedativos é “guiada” pelo enfermeiro e quando ela é arbitrária.
- Analgesia em SOS(segundo o juízo do enfermeiro) versus analgesia “fixa” : resultados observados em função do controlo da dor, total de analgesia usada e custos finais.
- Taxa de reinternamento versus disponibilidade do enfermeiro para a completa e correcta execução de um plano de cuidados para a alta( e aqui tanto pode ser avaliado o enfermeiro que “deu a alta” como o enfermeiro da comunidade).

Como estas ideias tantas outras, é somente preciso disponibilidade, vontade e tempo, acima de tudo tempo…

E agora seríamos levados a pensar:

Mas que influência poderia isto ter além de “forçar” a aumentar o número de enfermeiros (pelo reconhecimento de que mais enfermeiros significa mais qualidade e menos custos totais, contra o modelo actual de: enfermeiros a mais ou a menos não traduzem absolutamente nada nestes indicadores e portanto as complicações são inevitáveis e os custos destas são fixos, portanto há que diminuir o número de enfermeiros ou os seus vencimentos)?

Penso que a resposta é previsível. O registo das intervenções é fundamental, assim dessa forma, e pensando que este passo é posterior aos anteriores, chegaríamos a este ponto já sabendo que o enfermeiro influencia decisivamente a história de doença ou saúde de um utente, haveria a necessidade de cruzar os dados e saber qual o enfermeiro que tomou as medidas mais correctas, necessárias e completas e assim determinar qual o mais apto, ou em termos gerais, qual o melhor.

Os dados daqui obtidos seriam facilmente analisados numa avaliação de desempenho, pelo menos quanto à produtividade e qualidade das suas intervenções, pelo que este “melhor enfermeiro” efectivamente se traduz num ganho para a instituição que o possui.

Daqui até a um aumento da sua remuneração seria um pequeno passo pois os enfermeiros não seriam todos iguais, não teriam todos as mesmas capacidades e quando o enfermeiro é competente a instituição tem menos gastos, mais qualidade, pelo que faz sentido pagar mais por ele e tê-lo no seu seio. Regras do mercado que tardamos em aprender.

Quanto ao facto da competência efectiva, isso já será outra conversa pois implica abordar o tema das necessárias especialidades e a sua importância em todos os capítulos já referidos: no adquirir da competência necessária para provar a efectiva relação entre o ser bom e mau enfermeiro e o impacto da sua acção…
Essa temática(das especialidades) já está bastante discutida mas será abordada aqui brevemente…

Relações entre desemprego/remuneração/produtividade/reconhecimento do valor de um enfermeiro, PARTE 2




Onde eu quero chegar é:

Relativamente à temática do desemprego ( e considero-a relativamente diferente das remunerações) a minha opinião é esta:

De facto existiu e existe uma oferta desregulada para o que o mercado pode absorver, não que a oferta não fosse a correcta mas a de criar o mercado para que ela fosse “absorvida” e aqui dependeria de cada interessado (qualquer enfermeiro, responsável do serviço, qualquer órgão relacionado com enfermagem ou até outro profissional do ramo da Saúde) mostrar objectiva e discriminadamente onde faltam enfermeiros e como chegou a essa conclusão.

Por objectividade entendo usar um instrumento de avaliação da carga de trabalho de enfermagem e comparar horas de cuidados necessárias versus horas de cuidados cumpridas e relacioná-las com o número de enfermeiros que tem disponíveis, verificando-se o seu excesso ou escassez.

A discriminação seria útil pois permitiria observarem-se os locais exactos onde eles faltam ou estão em excesso e abolir de uma vez por todas com discursos vagos de “faltam X0000 enfermeiros”… Assim ao menos perceber-se-ia aonde exactamente…

Claro que esta forma de avaliar teria de ser adequada, uniformizada e universalmente usada.

Atingir isso só por decreto de uma instituição e cópia do modelo por parte das outras, ou por um parecer de uma entidade superior tipo OE ao Ministério da Saúde que a declararia obrigatória ou ainda pelo propagar de uma unidade /serviço a outras por iniciativas individuais ou mais ou menos consertadas (sendo que neste caso levaria mais tempo).

Depois vem a questão da criação do mercado capaz de absorver todos estes profissionais…

Aparentemente a tarefa mais espinhosa mas, uma vez estabelecido este mercado, permitiria uma consolidação de uma posição que talvez se tornasse, durante muito tempo (porque nada é imutável e os paradigmas podem mudar bastando descobrir o gene da imortalidade ou qualquer outra medida que evitasse a apoptose celular, e todos os problemas relacionados com as doenças, a sua prevenção e tratamento acabariam e todas as profissões actuais relacionadas com a Saúde seriam obsoletas )a regra, pois demonstraria inequivocamente o porquê de os enfermeiros serem tidos em conta em qualquer política de Saúde, tal como o reconhecimento do seu papel primordial na gestão e prestação de cuidados de saúde à população, assim como as inequívocas vantagens de termos mais e melhores enfermeiros em todas as instituições de Saúde ou com elas relacionadas.

Como atingir isto pensarão… é que identificar os problemas é relativamente fácil mas soluções objectivas é que é mais complicado.

De qualquer forma vou correr o risco de pecar por defeito e talvez alguma objectividade pois o intuito do explanar da minha visão não é apontá-las como se estivessem prontas a aplicar mas sim mostrar o caminho para as mesmas, no entanto tentarei não perder alguma acutilância e pormenor em determinadas propostas que irei apresentar apesar de noutras deixar apenas um simples repto que contudo não deixará de ser bem objectivo e nunca um delírio vago.

Nesta apresentação ficará subentendida a minha posição sobre a que considero não totalmente relacionável questão de excesso de oferta/ diminuição das remunerações.

Criar indicadores de produtividade para enfermeiros que sejam mensuráveis e minimamente dependentes da avaliação de terceiros.

- É de sobremaneira importante distinguir entre um bom e um mau profissional, para que o bom seja premiado e o mau seja penalizado e dessa forma incentivado a melhorar. Só dessa forma se evita a mediocridade e se mantém um estímulo concorrencial que só pode ser mau para quem efectivamente está acomodado. Não percebo como podem todos ganharem o mesmo…

- A distinção de um profissional como bom trabalhador será uma forma de aumentar o seu rendimento e a sua produtividade e um estímulo para que outros façam o mesmo. Não podemos é criar um sistema de avaliação de desempenho que dependa em grande parte da bonomia do avaliador. Têm de ser dados objectivos e mensuráveis.

- Se a avaliação de produtividade for eficaz permitirá realmente distinguir entre um bom e um mau profissional e será possível a um observador externo verificar que há ganhos em ter este ou aquele trabalhador e dessa forma ocorrerá um aumento da remuneração pois cada instituição lutará por ter os melhores e assim os melhores serão melhor pagos.



No seguimento das alíneas anteriores as instituições poderão verificar que determinado elemento (estou sempre a falar de enfermeiros mas isto é uma realidade aplicada a qualquer outro sector profissional) traduzem ganhos que, no caso da Saúde, podem constatar-se por indicadores como: diminuição do tempo de internamento, diminuição da taxa de infecção nosocomial : redução no uso de antibioterapia, complicações como IRA (insuficiência renal aguda) associadas ao uso dos anteriormente referidos antibióticos; menor uso de MCDT (meios complementares de diagnóstico e terapêutica) com resultados idênticos ou seja melhor relação custo/efectividade, diminuição do número de quedas, diminuição de reinternamentos, entre muitas outras coisas que podem ser imputadas quase unicamente à prática profissional.

Sábado, 12 de Abril de 2008

Definição de actos


Até que ponto é importante definir os actos inerentes a cada profissão?

Será relevante e do maior interesse para cada classe (Enfermagem, Medicina, Fisioterapia, Ciências Farmacêuticas, etc., etc., etc., ) definir o que é um acto inerente a cada uma delas?

Redutor na medida que pode limitar a prática a um campo demasiado exclusivo ou defesa do "património" individual de cada profissão?

É do melhor interesse para o Utente e para o Estado em geral?

Segunda-feira, 31 de Março de 2008

Cesarianas a pedido...


"A ministra Ana Jorge está preocupada com a disparidade entre os números de cesarianas nos hospitais públicos e nos privados

A ministra da Saúde não aceita que sejam as grávidas a decidir a forma como dão à luz, numa altura em que se discute a liberdade de escolha entre o parto natural e a cesariana.


A Associação Portuguesa de Bioética defende que as mulheres devem poder escolher entre uma cesariana e um parto normal, no serviço nacional de saúde, tal como acontece no privado.


A ministra da Saúde, Ana Jorge, está preocupada com a disparidade entre os números de cesarianas nos hospitais públicos e nos privados.


A Associação Portuguesa de Bioética concorda e quer que as mulheres tenham liberdade de escolha no sector público tal como já acontece no privado, mas para quem pode pagar.

Equidade e justiça social são as bases de um parecer onde se põe em causa se a cesariana é mais cara que o parto normal.

O parecer foi enviado ao Ministério da Saúde mas, ao que tudo indica, não vai sair do papel. Ministra da saúde e Bastonário da Ordem dos Médicos não querem medicina a pedido.


A ministra promete agir se as auditorias mostrarem práticas abusivas na privada. A Ordem dos Médicos promete sanções para quem actuar de modo diferente nos dois sistemas."

in RTP2008-03-30 10:19:24





Ler aqui o parecer da APB na íntegra



Solicite-se à APB (Associação Portuguesa de Bioética) que refira as outras discrepâncias que encontrou entre o sector privado e o público, além da falaciosa opção de escolha…


Uma falácia pois parte de pressupostos errados, de que o dinheiro confere melhores cuidados quando na prática esse dinheiro confere é outra “escolha”: a escolha da equipa que assiste ao parto em “obedecer” ao cliente e ele voltar ou seguir a opção mais correcta, mas que a parturiente julga mais prejudicial para si (pela dor, desconforto, etc etc de um parto eutócico=natural) e arriscarem-se a não vê-la mais nessa instituição.


Alem de que põem em causa mas sem qualquer evidência, uma possível razão económica concentrando-se no argumento de que manter um bloco de partos funcionante 24 horas é muito caro… arrisco-me a dizer que esse argumento seria verosímil há 20 anos ou há 1 ano, mas não agora.


Já agora agradecia que quem elaborou o parecer também informasse a Mulher das virtudes do parto natural face à cesariana ou cesárea como lhe quisermos chamar e apelasse à naturalidade e não à complexidade de um processo que é natural e não artificial.


Também gostaria de ver um parecer dos maiores especialistas em Saúde Materna e Obstétrica(os enfermeiros) sobre este tema ou não fossem eles os maiores entendidos em situações de parto eutócico (além de que seria uma excelente oportunidade de mostrarem quem percebe do assunto).



Deixo um repto, não uma provocação…

Terça-feira, 25 de Março de 2008

Relações entre desemprego/remuneração/produtividade/reconhecimento do valor de um enfermeiro, PARTE 1



As discussões à volta do desemprego e remunerações dos enfermeiros são dos assuntos mais em voga nesta comunidade (da qual orgulhosamente faço parte) mas pelo que tenho visto assiste-se simplesmente a discussões estéreis e lamentos de pesar pelo estado a que isto chegou:

São comuns as afirmações, tantas vezes contraditórias, sobre possíveis soluções para o problema e principalmente manifestações de pesar por não serem ou não terem sido adoptadas medidas para prevenir essa situação.

AS VERSÕES CONTRADITÓRIAS SOBRE A ESCASSEZ OU EXCESSO DE ENFERMEIROS SÃO:

Há falta de enfermeiros (no argumento que até julgo verdadeiro mas ingénuo na forma política como é abordado) quando na realidade se deveria pura e simplesmente dizer que as instituições não funcionam com a qualidade exigida por não terem dotações seguras de enfermeiros , ou seja, eles não são é contratados, o que nos levaria a perguntar como é que chegaram a essa conclusão de que há falta de…?

Pelos rácios internacionais?

Porque constataram empiricamente?

Porque avaliaram serviço a serviço, instituição a instituição? Que instrumento de medida foi usado e será este fiável ou respeitável?

Ou será que os enfermeiros andam a fazer coisas menores e fora da sua competência legal, o que os impede de prestar os seus cuidados de enfermagem levando a que estes não sejam executadas inflacionando as supostas horas de cuidados de enfermagem não prestadas?

Não deveriam haver instrumentos de medida aplicáveis a qualquer género de valência/serviço/instituição e que fossem apresentados individualmente de forma a dar credibilidade aos números apresentados?

Por exemplo… NO HSJ EPE faltam mil enfermeiros, 3 no turno da manhã da Urologia, 10 no turno da tarde na UCIPU, 43 no total diário da Urgência.
No H. Magalhães Lemos faltam 4 enfermeiros no turno da manhã na PsicoGeriatria.
Na ULS Matosinhos faltam 8 enfermeiros no turno da tarde na Medicina X ou ainda… Faltam 20 enfermeiros no Centro de Saúde do Lumiar. Talvez assim fossem de melhor compreensão, credibilidade e verosimilhança os números apresentados. Porquê esta forma de expor o problema? Lá chegaremos…

A outra versão:Há excesso de enfermeiros (por oferta desregulada) e por isso existe desemprego (mais abaixo falarei também da diminuição nas remunerações…)

Como provar que há excesso se não existem sequer dados devidamente objectivos sobre cuidados de enfermagem que são ou não prestados? E se isso não se deve a uma insuficiente dotação de enfermeiros nos serviços?
E aqui remeteria para exemplos semelhantes aos referidos na minha argumentação supracitada sobre a discriminação dos dados, sector a sector.

Porque é que as instituições não contratam ainda mais enfermeiros se eles até se vendem mais baratos, ou seja se dois custam 1000 euros/mês e um custa também 1000/mês porque não contratar dois, até porque supostamente a instituição ficaria a ganhar (dois pelo preço de um)?

- Se há excesso de enfermeiros (a exercer a sua profissão) porque se queixam tanto os enfermeiros de excesso de trabalho, burn out, maior incidência de doenças profissionais relativamente a outros profissionais?

- Porque é que o excesso de enfermeiros (os que exercem) não o é assim entendido pela maioria dos que exercem na sua prática diária onde, consideram não ter mãos a medir para o trabalho que surge?
Era uma situação a explorar num estudo que verificasse o nível de cansaço sentido em cada profissão, a nível físico e psíquico ao fim de uma jornada de trabalho?

- Havendo excesso de enfermeiros não seria de verificar-se um aumento da competitividade da parte das instituições para captarem os melhores, efectivamente melhores e não por meia dúzia de parâmetros que incluem morada, idade e realização de um mísero estágio de 2 meses nessa mesma instituição, entre outros?

Desculpem-me se não referi pontos ou alíneas em ambas as versões, para isso conto convosco…






Sexta-feira, 21 de Março de 2008

Formas de revolta ineficazes

Fala-se muito na contestação, na manifestação dos professores como um exemplo do impacto que esta teve, sinceramente na minha óptica não o foi assim tão evidente. Há quem afirme que causará a queda da ministra Maria de Lurdes Rodrigues tal como aconteceu com o Prof Correia de Campos pois também houve forte contestação às políticas do mesmo.

Mas há inúmeras diferenças. Em primeiro lugar, no caso da Saúde a população não entendia/concordava com as reformas ao passo que a maioria dos porfissionais do sector até as aceitaram como necessárias; no caso da Educação passa-se exactamente o contrário: a população concorda com a reforma ao passo que os profissionais é que não, pelo que o Governo terá outra autoridade/legitimidade/segurança, em prosseguir com a reforma e em segundo ligar esta reforma rende votos, a da Saúde não.

Sinceramente não acho que será com manifestações sob a égide de sindicatos que vão para a rua que se fará qualquer mossa . o tempo das bandeiras, faixas, comícios acabou.

Hoje em dia mudam-se as coisas individualmente mas numa política de grupo no desempenho diário, ou em grupos consertados para fazer lobbying. Ainda não temos nenhuma destas características desenvolvidas.

Temos tendência(os enfermeiros) em dizer que somos importantes na saúde do doente e que não sei que mais (um pouco de calão não faz mal) mas como diz um amigo meu, futuro administrador hospitalar, que frequenta este mestrado na ENSP (escola nacional de saúde pública), que não vê grupo mais revoltado, inconformado e mais manifestador de insatisfação que os enfermeiros que também estão no mesmo mestrado, mas que também são estes os que menos soluções apontam para a resolução dos problemas, isso quer dizer algo...


Não vos parece?

Domingo, 24 de Fevereiro de 2008

Projecto "Risco Diabetes"

Serve o presente para divulgar o projecto "Risco Diabetes".

Passem por http://riscodiabetes.no.sapo.pt e participem.

Cumprimentos.

Sábado, 23 de Fevereiro de 2008

Psicologia e Enfermagem entre os cursos com mais desempregados

23.02.2008 - 09h20
A situação varia de escola para escola, mas, olhando para os cursos que mais estão a contribuir para o desemprego, surgem à cabeça formações como Psicologia, Serviço Social, Economia, Educação e até áreas menos previsíveis, como Enfermagem.


Só em Psicologia, existiam, em Dezembro de 2007, cerca de mil licenciados inscritos em centros de emprego. Enfermeiros eram para cima de duas centenas. No caso do Instituto Superior de Saúde do Vale do Ave, 49 dos 66 diplomados em Enfermagem no último ano lectivo estavam nesta situação. Os cursos de Direito nas prestigiadas universidades de Lisboa e de Coimbra também não conseguem dar vazão a todas as centenas de jovens que formam anualmente e contribuíram para este universo com mais de 100 desempregados cada.

Estes são apenas alguns dos muitos dados que se podem retirar do estudo A procura de emprego dos diplomados com habilitação superior, divulgado ontem pelo Ministério da Ciência e Ensino Superior. Trata-se do primeiro levantamento de inscritos nos centros de emprego do continente com a indicação (para a maioria da população) do curso e escola que frequentaram. Globalmente, em Dezembro de 2007, estavam registados nos centros de emprego 39.627 diplomados do ensino superior, o equivalente a 4,5 por cento da população entre os 15 e os 64 anos que tem esta formação. O número de desempregados deste nível será, no entanto superior, já que nem todos se inscrevem nos centros. As últimas estimativas do INE apontavam para um valor próximo dos 60 mil.Outras características desta população: são jovens (75 por cento têm menos de 35 anos), inscreveram-se há menos de um ano (75 por cento), estão particularmente concentrados na Região Norte (41 por cento) e são maioritariamente mulheres. Elas já estão em maioria na população geral desempregada, mas a dificuldade em encontrar trabalho parece agravar-se com o aumento das habilitações: a taxa passa de 59 por cento de inscritas sem habilitação superior para 71 por cento entre as que têm esse nível de ensino.Mas, mais do que traçar o perfil geral do desemprego qualificado, o estudo (que será actualizado e divulgado de seis em seis meses) permite perceber quais as instituições e cursos com mais dificuldades de empregabilidade, pelo menos no que respeita a uma inserção rápida.As Ciências Sociais e do Comportamento são as mais representadas: constituem oito por cento do total de pessoas formadas e 13 por cento dos inscritos nos centros de emprego. As licenciaturas em Psicologia contribuem muito para esta situa-ção, encontrando-se no topo da tabela com maior número de desempregados instituições públicas e privadas, do litoral e do interior. Humanidades e Serviços Sociais destacam-se também pela negativa. A Formação de Professores é a área com mais inscritos há um ano (20 por cento). De resto, o estudo também mostra que o desemprego atinge de igual forma os jovens formados no ensino público e no privado, atendendo mais uma vez ao peso relativo de cada subsistema. Já o mesmo não acontece quando se olha para o tipo de ensino, com uma contribuição relativa superior do ensino universitário para as inscrições em centros de emprego, face aos politécnicos. Os licenciados são os mais atingidos pelo desemprego, mas existem ainda 457 mestres e 66 doutorados (0,2 por cento) inscritos em centros de emprego.Apesar da dimensão dos números, o estudo também mostra que a situa-ção para os jovens licenciados não tem piorado. O número de inscritos em centros de emprego em Dezembro de 2007 diminuiu 6,5 por cento em relação ao mesmo mês de 2006. E manteve-se praticamente igual ao valor de Dezembro de 2003. Com uma diferença: ao longo deste período, a população com habilitação superior aumentou 20 por cento, o que "revela a capacidade do mercado de trabalho para absorver os novos diplomados".

Fonte: http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1320574&idCanal=57

O meu comentário: Algo que já tinha em mente, mas agora está comprovado.

Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2008

Solidariedade

"Neste momento a administração do CHLO (Centro Hospital de Lisboa Ocidental) que agrupa o Hospital de Santa Cruz, o Hospital Egas Moniz e o Hospital de S. Francisco Xavier, decidiu deixar de pagar as horas de qualidade como tem feito até agora, para passar a pagar segundo a lei do código de trabalho, isto é, em vez de sermos remunerados a 50% e 100% nas noites, fins de semana e feriados, somos apenas pagos a 25% a qualquer noite a partir das 22h até as 07h.
E quando digo deixaram de nos pagar é apenas aos enfermeiros contratados, pois os enfermeiros da função publica continuam a ser pagos a 50% e a 100%. Em termos práticos perdemos cerca de 150€ a 200€ por mês.
Após reuniões com o sindicato o conselho de administração do CHLO decidiu atribuir um subsídio de turno de 71€ de "natureza provisória". *sem palavras* Produzimos o mesmo, trabalhamos as mesmas horas e recebemos menos? Assim em poucas palavras quis expor lhe mais uma atrocidade!
Esta medida já é aplicada em muitos outros locais. O grave disto, é que para além de promover a desigualdade de direitos entre os contratados e funcionários públicos, vem menosprezar o desgaste que nós enfermeiros estamos sujeitos ao trabalho por turnos, para além das complicações familiares que por vezes acarreta.
Assim não vale a pena trabalhar por turnos. Ninguém reconhece o nosso trabalho e o quão difícil é trabalhar à noite, Sábados, Domingos e feriados. O nosso ritmo circadiano fica todo alterado e nem monetariamente agora é recompensado esse desgaste.


Assine esta petição online aqui
Por favor façam chegar esta informação ao maior numero de enfermeiros possível e juntos vamos tentar lutar contra esta situação!!!!! Muito obrigada! "


Eu já o fiz e vós???

Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2008

Risco de desenvolver Diabetes tipo 2 em 10 anos

Descubra qual o seu risco de desenvolver Diabetes tipo 2 em 10 anos!
O Indíce de Massa Corporal calcula-se da seguinte forma: Massa (em kg)/(Altura (m)*Altura (m)).
Deixe o seu risco nos comentários!
Deixo esta notícia para que possam comentar e propor soluções, já que faço parte da equipa que está a realizar o estudo. Obrigado!

"2008-02-10 - 00:30:00

Hospital de Faro: Estudo aponta causa para o caos

Idosos abandonados enchem Urgências

Rui Pando Gomes

Resultados finais do estudo sobre o caos nas Urgências são apresentados dentro de duas semanas

Os doentes que entopem os corredores das Urgências do Hospital Central de Faro (HCF) são “idosos com idade avançada, que sofrem de várias doenças e estão desintegrados da família.” É a conclusão preliminar de um estudo pedido pela Administração Regional de Saúde do Algarve, para perceber as razões do caos num serviço onde os atendimentos até diminuíram sete por cento em 2007.

“Fomos para o terreno perceber quem são as pessoas que enchem os corredores. Oitenta por cento são idosos a sofrer de várias doenças em simultâneo e difíceis de resolver”, disse ao CM o médico João Paulo Almeida, coordenador do estudo. A equipa, composta por um médico, dois enfermeiros e um informático, identificou uma nova tipologia de utentes que procuram regularmente as Urgências: pessoas com mais de 70 anos, mais do que um internamento por ano e com pouco apoio familiar. “São pessoas com um estado de saúde que já não permite estar em casa, necessitam de internamento e cuidados prolongados, e a maioria não tem família que lhe dê atenção”, revelou João Paulo Almeida. Em 2007 foram contabilizados 830 casos, que vão ser avaliados para tentar encontrar soluções . O clínico diz que “é um problema grave e que se vai agravar” com o aumento da esperança média de vida. A solução passa por “melhorar os cuidados domiciliários, aproximar os horários dos médicos de família com os da população e preparar as transferências dos doentes para os locais certos da rede de cuidados continuados”, adianta o coordenador do estudo.

MUDANÇA NOS SAP SEM REFLEXO

A maioria dos doentes que recorre às Urgências do HCF são utentes dos concelhos de Faro, Loulé, Olhão e Albufeira, zonas onde continuam a existir Serviços de Atendimento Permanente (SAP) abertos 24 horas. Apesar de se atribuir a culpa do congestionamento nas Urgências ao encerramento dos SAP, os resultados do estudo coordenado pelo médico João Paulo Almeida revelam que “70 a 80 por cento dos atendimentos são de pessoas de zonas urbanas e não de locais onde foram encerrados os SAP. “Os dados recolhidos também sugerem que a redução do horário nos centros de saúde, das 24h00 para as 20h00, não provoca sobrecarga nas Urgências, uma vez que “a procura nestas horas diminuiu”. Uma análise pontual, em quatro dias de Janeiro, registou cerca de 90 doentes nos corredores. Apenas um era de Alcoutim, o que contraria as acusações do autarca local, segundo o qual o fecho do SAP ajuda ao entupimento das Urgências.

PORMENORES

ALERTA

A Administração Regional de Saúde do Algarve quer desenvolver um sistema informático de alerta, para detectar atendimentos múltiplos de um mesmo doente nas Urgências do HCF.

RECORDISTA

É um homem, tem cerca de 50 anos e recorreu às Urgências do HCF 49 vezes em 2007. Sofre de diabetes e alcoolismo e foi assistido devido a quedas. Vive num meio familiar desintegrado.

ATENDIMENTOS

O caos nas Urgências do HCF levou médicos a demitirem-se. Mas em 2007 houve menos seis mil admissões de adultos face a 2005 e 2006. As Urgências Pediátricas tiveram mais 400 atendimentos."

Fonte: http://www.correiodamanha.pt/comentario.asp?idCanal=10&id=277190